Arquivo | Agosto, 2012

História de um palhaço

12 Ago

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Professor palhaço,

me ensinou a ser palhaça, me ensinou a fazer graça. Me ensinou a lutar pra fazer o mundo sorrir. Me ensinou a ser, me ensinou a viver. Me ensinou a perder, mas nunca desistir. Nem sempre temos tempo pra ficarmos cansados, nem sempre temos tempo pra parar de chorar, mas e chorávamos ficava preocupado e sempre dava um jeito de vir me buscar. Me ensinou que a distância dói e que a saudade custa a passar, mas se a coisa apertasse, faria de tudo, até vendia a geladeira, só pra vir me buscar. Me apresentou os livros, o teatro e a música. Stones, Beatles, Capital e até Dire Straits. Me ensinou a ler poesia, me ensinou a nos palcos pisar. Se mentir era contar história, não importava, o importante era criar. Me deu irmãos bonecos e uma irmã boneca, que só pra não lavar a louça dormia comigo na soneca. Me ensinou a respeitar a natureza e a cuidar do meio ambiente. Se isso vai mudar o mundo? Aí eu não sei… O importante é que a gente tente. Me ensinou a andar, falar e me cuidar. A pedalar e de vôlei e futebol gostar. Não conversar com estranhos, escovar os dentes antes de dormir. Mas o mais importante de tudo é que meu professor palhaço me ensinou e me faz sorrir. Obrigada, pai. Você é o amor da minha vida, daqui até a eternidade, porque a gente sabe que os nossos destinos foram traçados na maternidade. Feliz dia dos pais. Te amo muito.

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Estou vivendo isso direito?

3 Ago

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Estou dirigindo na 85 num tipo de manhã que dura a tarde inteira. Algo como apenas preso na escuridão. Mais quatro saídas até meu apartamento mas estou tentando manter o carro andando e deixar tudo pra trás. Eu quero saber, às vezes, sobre o resultado de uma vida ainda sem resultados. Será que a estou vivendo direito? Por que, Georgia, por quê? Aluguei um quarto e preenchi os espaços com madeira para parecer com minha casa, mas tudo o que sinto é solidão. Pode ser só uma crise de um quarto de vida, ou só o agito de minha alma. De qualquer forma… E daí? Eu tenho um sorriso estampado no meu rosto, mas ele esconde supertições quietas na minha cabeça. Não acredite em mim quando digo que superei. Todo mundo é apenas estranho mas esse é o perigo de seguir meu próprio caminho. Acho que esse é o preço que tenho a pagar. Ainda que tudo aconteça por alguma razão, não há razão pra não me perguntar se estou vivendo-a direito. Diga-me o porquê, Georgia. Por quê?